Mel

O mel é um produto elaborado pelas abelhas a partir do néctar colhido nas flores. Basicamente o mel é constituído de água, frutose, glicose, sacarose, maltose e outros dissacarídeos, sais minerais, vitaminas, enzimas, hormônios, proteínas, ácidos, aminoácidos e fermento. O mel é o alimento das abelhas.

É a maneira mais antiga de se adoçar os alimentos ou bebidas. É o adoçante natural mais rico em componentes nutritivos e terapêuticos conhecidos pelo seu valor energético, estimulador, digestivo e reconstituinte do organismo.

O mel ao ser retirado dos favos tem aparência aquosa, mas depois de um certo tempo, apresenta-se pastoso e cristaliza-se, de acordo com a sua composição. A granulação consiste na separação da glicose (forma sólida). É, pois, um processo natural que não prejudica o mel. Para fazer o mel voltar ao estado natural (líquido), basta aquecê-lo sem tampa, em “banho-maria” com fogo brando (aproximadamente 50ºC, não deixe passar disso!). Pode possuir diversas cores, de acordo com o tipo de flor, e se mantém íntegro por longos períodos porque a abelha lhe adiciona ácido fórmico, um ótimo conservante, e a inibida, excelente bactericida.

A composição do mel varia muito de acordo com a região e o tipo de mel, mas em média o mel compõe-se de:

•  17,1% de Água
•  31,0% de Glucose
•  38,5% do Frutose
•  1,50% de Sacarose
•  0,15 a 0,45% de Sais Minerais (cálcio, cobre, ferro, magnésio, manganês, fósforo, potássio, sódio, zinco, etc.).
•  5,50% de outros elementos (ácido fórmico e acético, vitamina A, B1, B2, B5, B6, C, E e K, etc…).

Os efeitos do mel no organismo humano são os seguintes:

•  Reforça o Sistema Imunológico.
•  Anti-bacteriano.
•  Anti-inflamatório.
•  Analgésico e sedativo.
•  Expectorante.
•  Hipo sensibilizador.

•  Cicatrizante

É importante saber, que as abelhas não escolhem a flor a ser visitada, e que um mel classificado como de uma florada (macieira, por exemplo) é produzido por causa da presença de maior quantidade e oferta de uma flor de planta mais marcante e proeminente numa região. Podemos concluir que qualquer mel é quase multifloral, mas com maior concentração da florada mais abundante na região (até um raio de 10 quilômetros em torno das colmeias). Cada espécie de planta enriquece o néctar com suas qualidades e características especiais. O sabor, aroma, cor e densidade variam de acordo com as florada que forneceram o néctar, classificando-o em diversos tipos. Alguns deles são:

– De flores silvestres – é um mel multifloral, resultante da mistura do néctar colhido de diversas flores dos campos, matas ou florestas. Pode ser produzido por abelhas silvestres também, como a jataí, a urussú, mas é um mel mais escuro, mais líquido e menos viscoso. O mel silvestre produzido pelas abelhas europeias ou africanizadas é dourado, mais denso, e tem o sabor tradicional suave. É muito rico em sais minerais, usado como tônico e fortificante para crianças, adultos e idosos. É peitoral, auxilia no tratamento popular do reumatismo e da artrite.

– Da cana-de-açúcar – diferentemente dos demais desta lista, não é mel de flores, mas elaborado a partir da seiva da cana dos canaviais queimados ou cortados. Tem valor nutritivo superior ao melado. É muito escuro e pouco viscoso, com forte aroma de rapadura. Muito rico em ferro, colabora na formação óssea das crianças, é recomendado para idosos por ter propriedades antianêmicas, fortificantes, anti-raquitismo e contra reumatismo e artrite.

– Da flor da acácia – é o mel mais rico em frutose.

– Da flor da bracatinga – característico por ser escuro e ter gosto amargo. Age no fígado, vesícula, estômago e intestinos. É um vermífugo, recomendado para problemas circulatórios e hipoglicemia.

– Da flor de carqueja – mel um tanto amargo, recomendado para cálculos biliares, doenças do fígado, bexiga e rins. Além de anemia, má circulação do sangue, inflamação das vias urinárias e vermes intestinais. Digestivo e tônico do estômago.

– Da flor de caju – é conhecido tradicionalmente como afrodisíaco e tônico, usado popularmente contra cólicas intestinais e eczemas. É rico em anacardina, o princípio ativo do cajueiro.

– Da flor do alecrim do campo – mel energético, com ação no aparelho digestivo, contra gases intestinais, distúrbios nervosos e cardiovasculares em geral.

– Da flor do angico – é um mel tônico, recomendado para o raquitismo, agindo também como peitoral e emoliente nas vias respiratórias, tosses catarrais, afecções pulmonares, bronquite, faringite, asma, com ação fortemente expectorante. Além disso, é adstringente, indicado na diarreia e nas disenterias. Popularmente é muito aplicado externamente em feridas e úlceras.

– Da flor do assa-peixe – um mel bem claro e suave. Utilizado tradicionalmente na medicina popular como depurativo do sangue e tônico geral. Um remédio popular muito famoso no combate à gripe e tosse seca, pois é um bom expectorante. Participa na fórmula de muitos xaropes. Aplicado também nas doenças das vias urinárias, contra cálculos renais, sendo ligeiramente diurético. Recomendado para queimaduras, picadas de inseto e doenças da pele.

– Da flor do cambará-do-campo – um mel consagrado popularmente e tradicional na medicina popular para afecções do aparelho respiratório, como gripe, tosse em geral, coqueluche, laringite, rouquidão. Muito eficaz como coadjuvante nos casos de crises de asma. Também contra a úlcera gástrica.

– Da flor do capixingui – muito recomendado para os casos de gastrite e úlceras pépticas. Tem leve efeito diurético e tônico.

– Da flor do cipó-uva – mel famoso por ser desintoxicante do fígado e estimulante da secreção biliar. Aplicado para proteção do fígado nos casos de alcoolismo, na cirrose hepática e hepatite, além de proteger contra os demais efeitos do excesso do álcool.

– Da flor do dente-de-leão – um famoso mel, levemente amargo, regulador das funções hepáticas e das secreções biliares. Recomendado no cálculo biliar, nas doenças do fígado, principalmente hepatite e cirrose. Também um tônico estomacal e digestivo.

– Da flor da erva-cidreira (melissa) – um mel suave, aromático, perfumado, de grande efeito sedativo sobre o sistema nervoso e digestivo. Recomendado para pessoas nervosas, de digestão lenta e difícil, e nos casos de insônia.

– Da flor do eucalipto – é rico em eucaliptina, o principio ativo do eucalipto. Um mel escuro, e sabor forte pela alta concentração de ferro, cálcio, enxofre e magnésio, e de fácil cristalização. Utilizado na medicina popular como expectorante, descongestionante e dilatador de brônquios, sendo eficaz na desobstrução do catarro acumulado. Combate a tosse, nos casos de gripe, resfriados, asma, asma cardíaca, bronquite, coqueluche. Útil na coriza, sinusite e nas rinites alérgicas. Um recurso popular no tratamento da tuberculose, pois é tônico popular. Tem aplicação também cistite, catarro da bexiga, febres em geral, maleita, nefrite e inflamação da garganta.

– Da flor do girassol – muito rico em fósforo. É um mel dourado que adquire uma tonalidade âmbar-claro e, por vezes, esverdeado ao cristalizar. Muito indicado como tônico cerebral, sendo excelente para estudantes e para fortalecer as atividades intelectuais, indicado no cansaço mental e também físico. Combate o excesso de colesterol se utilizado regularmente.

– Da flor de hortelã – raramente é um mel monofloral, mas se houver vasta plantação de hortelã numa região e na época da florada, e as abelhas colherem bastante néctar das flores dessa planta medicinal, o mel adquire um sabor típico de menta. Nesse caso, o mel é recomendado como digestivo, fadiga e as verminoses em geral.

– Da flor da laranjeira – um dos méis mais consagrados na medicina popular, tido por muitos como o melhor, mais saboroso e aromático. Tem cor clara e dourada. É um famoso regulador das funções intestinais, com ação laxante. É antiespasmódico e calmante, com recomendação antiga na insônia, aplicado também nas palpitações cardíacas.

– Da flor da macieira – um mel amarelo-claro, suave, de perfume delicado e de gosto delicioso, pois assimila as propriedades da maçã. Anti-reumático por excelência, atua nas doenças nervosas como sedativo. Um auxiliar contras a obesidade, em pequenas quantidades como adoçante.

– Da flor do marmeleiro – é oriundo da flor da arvore chamada marmeleiro, não da fruta. Um mel de sabor muito agradável, claro, aromático. Regulador dos intestinos e tônico digestivo. Auxilia na prisão de ventre crônica. Muito famoso por suas aplicações nos casos de desidratação. Combate a enxaqueca crônica.

– Da flor do trigo sarraceno – um mel mais raro, rico em cálcio e ferro. Usado como fortificante contra a anemia e raquitismo. Por ser alcalino, tem aplicação no excesso de acidez estomacal.

– Da flor de vassourinha – regulador da menstruação, além de auxiliar no tratamento de hemorroidas e varizes. É tônico circulatório.

Cuidado!!!
Procure adquirir seu mel de uma fonte confiável. Há muita falsificação de mel no mercado. O mel falsificado tem o mesmo odor, gosto e cor do mel original, porém sem nenhum poder terapêutico, pelo contrário, usam açúcar refinado, corantes e outros elementos prejudiciais a sua saúde. Nenhum teste caseiro é totalmente bem-sucedido. Use vários desses testes, se possível, para ter uma boa ideia da pureza do seu mel. Há alguns testes que podem te ajudar a identificar o falso mel:

1) Pingue o mel na água. Se for impuro vai se dissolver – o aditivo mais comum para o mel é o melado de cana de açúcar, que dissolve. Se o mel for puro, ele não vai se separar e vai afundar como uma gota sólida até o fundo do copo.

2) Derrame algumas gotas de mel em papel borrão e veja se ele é absorvido. Se sim, o mel não é puro. Se não tiver papel borrão, derrame um pouco de mel em um guardanapo branco e lave o pano. Se o mel deixar alguma mancha, provavelmente não é puro.

3) Pegue um isqueiro e uma vela com pavio de algodão. Mergulhe o pavio no mel, e retire um pouco do excesso. Tente acender o pavio. Se queimar, o mel é 100% puro. Se demorar pra queimar, a presença de água não está deixando o pavio acender (se só houver uma fina camada de mel no pavio, ele ainda pode queimar. Deve produzir alguns estalos, e pode ser melhor apagar a vela e testar novamente, desta vez com mais mel).

4) Misture partes iguais de mel e uma bebida forte. Mexa bem. O mel puro vai assentar no fundo. Mel impuro vai ser dissolvido e vai deixar a mistura leitosa.

5) Misture uma colher de mel com uma colher de água. Mexa bem, e pingue 3 gotas de lugol (solução de iodo 2%, a venda em farmácias). Misture e verifique a cor. Se escurecer é porque há amido no mel, portanto ele não é puro.